Índice da FGV mostra maior alta de incerteza em relação à economia em nove meses

 

A incerteza em relação à economia brasileira mostrou em março a mais intensa alta em nove meses. É o que mostrou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV) ao anunciar o Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), que subiu 5,2 pontos entre fevereiro e março, para 107,7 pontos.

 

Ao falar sobre as razões da alta no índice, Pedro Costa Ferreira, economista da FGV, disse que fatores sazonais em fevereiro, como Carnaval e intervenção federal na segurança pública do Rio, desviaram atenção sobre andamento da economia no país, o que levou a um recuo acima do normal na incerteza econômica em fevereiro ante janeiro (de 7,1 pontos).

 

Em março, ocorreu um ajuste em relação à retração acentuada do mês passado, o que levou ao aumento expressivo na variação do indicador no mês, disse Ferreira. Para o especialista, a incerteza em relação à economia brasileira deve mostrar mais volatilidade e com tendência de alta nos próximos meses, com o acirramento da corrida presidencial.

 

O avanço do IIE-Br em março foi determinado pelos componentes mídia e expectativa. O componente de mídia subiu 6,1 pontos, para 113,3 pontos, contribuindo com 5,4 pontos para o avanço do índice geral. O IIE-Br Expectativa subiu 1,9 ponto, para 89,9 pontos, contribuindo com 0,4 ponto para o índice agregado. O IIE-Br Mercado recuou 4,4 pontos, para 89 pontos.

 

Para Ferreira, a perspectiva é que o indicador volte a mostrar novas acelerações, com viés para cima. Segundo ele, com a proximidade da eleição presidencial, há dúvidas sobre os candidatos, sobre as opções de segundo turno e sobre a condução de política econômica de cada um deles. “Ninguém sabe o cenário do Brasil em 2019. Qualquer um que diz que sabe está chutando”, disse o economista.

 

Ao mesmo tempo, há turbulências no cenário internacional. Ferreira lembrou a decisão de Donald Trump de impor sobretaxa ao aço importado, o que afeta exportações do setor siderúrgico brasileiro e eleva a cautela em relação à trajetória da economia.

 

Alessandra Saraiva – Valor Econômico